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Dia Nacional de Combate ao Câncer!

Na última quarta-feira, dia 27 de novembro foi o Dia Nacional de Combate ao Câncer, iniciativa que se soma a muitas outras datas e campanhas para conscientizar sobre esta doença, sua importância, prevenção e diagnóstico precoce. O câncer é um dos maiores problemas de saúde pública na atualidade. E nesse sentido, a evolução no tratamento traz grandes expectativas, tanto para os pacientes, quanto para a área de oncologia. 
A estimativa no Brasil para 2019 é que sejam diagnosticados mais de 600 mil novos casos, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Em  2017, foram registrados 220 mil óbitos por câncer. “Sabemos que a incidência e a mortalidade por câncer continuam aumentando e em mais de 500 municípios brasileiros já é a primeira causa de morte da população. O Rio Grande do Sul se destaca neste cenário, sendo o estado com o maior número de municípios (140) onde o câncer é a primeira causa de morte”, observa o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Alvaro Machado.
Por outro lado, o tratamento do câncer evolui rapidamente. Novos tratamentos surgem criando expectativas positivas, como a imunoterapia e a terapia genética. “Estamos na era da imunoterapia e terapia genética. A imunoterapia já é pratica diária nos consultórios e amplia suas indicações a cada momento. A terapia genética é a grande inovação”, revela Machado. 
A imunoterapia age no complexo mecanismo de estímulos e inibições do sistema imune. “A imunoterapia atual compreende medicamentos que bloqueiam estímulos inibitórios do sistema imune. O resultado do bloqueio da inibição é um sistema imune mais ativo e eficaz”, explica o oncologista. 
Outra grande evolução é a terapia genética, amplamente divulgada na mídia neste ano, quando um paciente oncológico brasileiro, o qual não tinha mais alternativas de tratamentos disponíveis, foi submetido à terapia conhecida como CART-Cell e conseguiu a remissão da doença. Pesquisadores da USP desenvolveram uma técnica própria dessa terapia. “Temos dois tratamentos baseados em CART-Cell (Receptor Quimérico de Antígenos de Células T, em inglês) aprovados nos Estados Unidos. A primeira experiência brasileira com sucesso ocorreu este ano, com tecnologia própria. São grandes as expectativas”, comenta Machado. 
Por enquanto, nos Estados Unidos, esta terapia está indicada para tipos específicos de leucemia e linfoma. No entanto, os efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos e o custo deste tratamento é alto. “A toxicidade aguda é complexa e de alto risco de morte. As consequências a longo prazo para os pacientes com sucesso terapêutico ainda são uma incógnita, e o custo, mesmo nos Estados Unidos, é astronômico, cerca de 500 mil dólares por tratamento. Baratear e facilitar o acesso a estas tecnologias também serão grandes desafios para os próximos anos”, salienta o oncologista do CTCAN. 
Fatores de risco e prevenção
Câncer são várias doenças diferentes que tem como característica comum a proliferação celular desordenada. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que os fatores de risco como o tabaco, álcool, alimentação, sedentarismo e peso sejam responsáveis por 1/3 dos casos no mundo todo. “Estamos falando de cerca de 180 mil casos por ano que poderiam ser evitados em nosso país. Combater o câncer envolve inúmeras frentes. Do ponto de vista individual adotar hábitos de vida saudáveis como não fumar, reduzir ao mínimo a ingesta de álcool, ter alimentação saudável, fazer exercícios físicos regulares e manter o peso pode reduzir nosso risco de desenvolver o câncer em 30%”, destaca Machado. 
Além disso, conforme o oncologista, disseminar a vacina contra o HPV e hepatite B, estimular políticas públicas de restrição à bebidas adoçadas e alimentos processados são importantíssimos do ponto de vista da saúde pública. 
Diagnóstico precoce é fundamental
O diagnóstico precoce é fundamental para a cura e redução do custo da doença. Os principais cânceres da população brasileira são passíveis de diagnóstico precoce, conforme informa o oncologista do CTCAN. “O câncer de mama por meio da mamografia anual, a partir dos 40 anos de idade. O câncer de próstata através do acompanhamento individualizado com o urologista. O câncer de pulmão por meio da tomografia computadorizada anual para a população de alto risco (mais de 1 carteira de cigarro/dia há mais de 15 anos). O câncer do intestino grosso através da colonoscopia, preferencialmente, aos 50 anos ou exame imunoquímico para sangue nas fezes. E o câncer do colo do útero pelo papanicolau anual, preferencialmente com pesquisa de HPV”, enfatiza Machado.

Fonte: Jornal Expressão Regional