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Prevenção e conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço

Campanha Julho Verde chama a atenção para o tema

 A campanha Julho Verde, promovida em todo o Brasil através da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, visa difundir informações no combate ao câncer de cabeça e pescoço por meio de atividades de conscientização com viés científico e social.

A coordenadora do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital de Clínicas (HC) de Passo Fundo, Dra. Julia Pastorello esclarece que o câncer de cabeça e pescoço corresponde a um conjunto de doenças que afeta esta região. “Um grupo de neoplasia malignas originadas da região anatômica da face e pescoço que inclui os lábios, língua, assoalho da boca e palato, seios da face, maxilares, frontais, etmoidais e esfenoidais, faringe, laringe e glândulas salivares e a tireoide.” pontua.

A infecção pelo vírus HPV têm sido apontada como um dos principais responsáveis pelo aumento da incidência do câncer de cabeça e pescoço registrada nos últimos anos. “Os fatores de riscos mais conhecidos são o tabaco, a ingestão crônica do álcool, exposição solar prolongada, infecções virais pelo vírus do papiloma humano (HPV), infecções do vírus de Epstein-Barr (EBV).” explica Dra. Julia.

A influência do câncer de cabeça e pescoço na qualidade de vida dos pacientes é salientada pela fonoaudióloga do HC, Analice Calegari Lusa. “São cerca de 10 mil mortes por ano no país, só para os cânceres de laringe e cavidade oral. Os sobreviventes enfrentam perdas significativas na qualidade de vida durante e após o tratamento quando o diagnóstico se faz tardiamente.” explica a fonoaudióloga.

Prevenção e tratamento

A Campanha Julho Verde busca alertar a população sobre os sintomas da doença e incentivar o acompanhamento e detecção precoce deste tipo de câncer. “A prevenção consiste em escovar bem os dentes, ter próteses dentárias bem ajustadas e o acompanhamento regular de um dentista, além de não fumar e evitar o uso de bebidas alcoólicas, ter uma dieta saudável, usar filtro e outras formas de evitar o contato com o sol.” evidencia a oncologista do Hospital de Clínicas.

“Procure avaliação para qualquer sintoma. Ganhar tempo é comer sua comida preferida sem ter medo de engasgar. Ganhar tempo é poder falar com voz, sem precisar de outras formas para se comunicar. Ganhar tempo é não precisar passar por uma trajetória de tratamentos, cirurgias, medos, ansiedades. Precisamos agendar um tempo para nossa saúde. Tempo é vida! Previna-se.” completa a fonoaudióloga Analice.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço o diagnóstico tardio ocorre em pelo menos 60% dos casos, sendo o diagnóstico precoce considerado como um dos principais fatores para a cura da doença. “O tipo de tratamento do câncer de cabeça e pescoço é definido pelo nível de invasão de outros órgãos ou estruturas pela doença. As principais opções terapêuticas incluem cirurgia, radioterapia (radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que causam o tumor), quimioterapia (compostos químicos são introduzidos no organismo para combater o câncer, pode ser administrado via oral, intravenosa), imunoterapia é um tratamento que consiste em alterar o sistema imunológico para que este identifique e ataque as células cancerosas e terapia-alvo (combate às moléculas específicas do câncer, direcionando a ação do medicamento, reduzindo as chances de atingir células normais e acarretar efeitos colaterais).” esclarece a oncologista.

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço envolve o acompanhamento de profissionais de diversas áreas da saúde. “A doença e o tratamento podem causar sequelas tanto físicas quanto emocionais, afetivas ou sociais que podem impactar na sua qualidade de vida e causar inúmeras limitações permanentes, envolve uma gama de profissionais no processo de cuidado como a fonoaudiologia, nutrição, psicologia, enfermeiro, fisioterapeuta, médico, dentista e serviço social.” explica Dra. Julia.

A fonoaudióloga Analice destaca o papel da fonoaudiologia na reabilitação do paciente. “O objetivo do fonoaudiólogo é promover qualidade na comunicação do paciente, para que consiga manter suas relações sociais, reabilitar problemas de deglutição para que volte se alimentar com segurança e auxiliar na reabilitação respiratória com indicação de alguns filtros entre outros cuidados necessários.” pontua.

Nos casos específicos de câncer de laringe, por exemplo, uma das opções terapêuticas disponíveis é a retirada cirúrgica da laringe. Após este procedimento, o acompanhamento fonoaudiológico auxilia na retomada da qualidade de vida do paciente. “A reabilitação das laringectomias totais pode ser realizada de três maneiras: pela voz esofágica (usando o aproveitamento do esfíncter esofágico e o terço superior do esôfago, recebendo o ar colocado pela boca por deglutição), pela colocação de prótese tráqueo-esofágica ou uso de laringe artificial. A indicação é individualizada para cada paciente, em conjunto com o médico especialista” esclarece a fonoaudióloga Analice Lusa, que atua no Serviço de Fonoaudiologia Hospitalar do HC.

Julho Verde no Hospital de Clínicas

Visando a difusão de informações e conhecimento sobre o diagnóstico e tratamento do câncer de cabeça e pescoço o Hospital de Clínicas de Passo Fundo, através do Serviço de Fonoaudiologia, promove o 1º Simpósio Multidisciplinar de Cabeça e Pescoço, que reunirá especialistas para discussão multiprofissional sobre a doença. O evento ocorrerá no dia 19 de julho e as inscrições podem ser realizadas através do site do Hospital de Clínicas (www.hcpf.com.br) até o dia 16 de julho.

Natieli Batistela
Comunicação Social
Hospital de Clínicas
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