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Liderados por Maia, deputados trabalham em uma nova proposta de reforma da Previdência

Decisão foi revelada pelo presidente da comissão especial da Previdência, Marcelo Ramos

— Este é um governo que desconsidera completamente o Parlamento. A reforma é muito importante para o país, fundamental, e não podemos correr o risco de não ser aprovada porque o deputado antipatiza com o governo — justificou. 

O eixo das novas medidas ainda não foi definido. As discussões começam na próxima semana e, para manter a harmonia dentro do colegiado, o novo texto terá a chancela do atual relator da reforma na comissão especial, Samuel Moreira (PSDB-SP). O revide dos deputados provoca mais um abalo no governo, na mesma semana em que as ruas rugiram contra o presidente, e o Ministério Público avançou nas investigações dos negócios suspeitos do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). 

Ciente da fragilidade do Planalto, o centrão planeja impor novas derrotas em plenário nos próximos dias. A ideia é manter sem alterações o texto aprovado em comissão especial na semana passada que criou dois novos ministérios e tirou o Coaf do ministro Sergio Moro. Se houver resistências no grupo de partidos mais alinhados ao Planalto, como PSL Novo, o grupo pretende deixar caducar a medida provisória que em janeiro reduziu de 29 para 22 ministérios, o que causaria uma desconstrução do atual organograma da Esplanada.

A tentativa de reação do governo acontece em meio a mais um capítulo da crônica disputa por poder e protagonismo entre seus principais líderes, delegado Waldir (GO), Major Vitor Hugo (GO) e Joice Hasselmann (SP), todos do PSL. Quando não estão brigando entre si, eles tentam atropelar membros do próprio governo. Na quarta-feira, enquanto o ministro da Educação, Abraham Weintraub, era sabatinado em plenário e milhares de pessoas tomavam as ruas para protestar contra os cortes nas universidades, o próprio líder do PSL, delegado Waldir (GO), cogitava propor a convocação do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Na véspera, Onyx havia dito que deputados queriam levar “vantagem” ao sustentarem que Bolsonaro pretendia suspender o contingenciamento.

— Eu não aceito manchar minha moral, minha honra. Eu fui lá como convidado. Ele falou besteira — vociferou Waldir, que desfila em plenário com um coldre vazio preso à cinta (a arma fica no carro ou no gabinete). 

Para o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches, o presidente flerta com o perigo ao desviar o foco da agenda econômica para picuinhas ideológicas. Conforme Abranches, já há um bloqueio da governabilidade e a própria palavra impeachment começa a ser repetida com maior frequência.

— Bolsonaro está perdendo uma janela de oportunidades. Enquanto ele prioriza o confronto, o processo econômico está paralisado, ele perde popularidade cada vez mais rápido, sofre contestações nas ruas e já está envolvido em escândalos por conta do filho. O governo dá sinais de colapso — diagnostica o autor do celebre ensaio Presidencialismo de Coalizão.

Fonte: Zero Hora