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Medicamentos com distribuição gratuita estão em falta em farmácias do RS

Por Jonas Campos, RBS TV

 

Medicamentos para tratamento de doenças estão em falta
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Medicamentos para tratamento de doenças estão em falta

Medicamentos para tratamento de doenças estão em falta

Medicamentos especiais com distribuição gratuita para pacientes nas farmácias do estado estão em falta no Rio Grande do Sul. Nesta quarta-feira (8), pessoas com câncer, diabetes e outras doenças voltaram para casa sem os remédios em Porto Alegre.

No Rio Grande do Sul, cerca de 300 mil pessoas dependem do fornecimento dos medicamentos. Entre eles está a professora aposentada Sirlei Kipper, de 70 anos, que esteve na farmácia do estado para tentar adquirir um remédio para o câncer que sofre.

“Não consegui. Estou desde fevereiro tentando a medicação”, lamenta a idosa.

“É uma quimioterapia. Claro que fico [preocupada], porque eu estou cada vez piorando”, desabafa.

Na fila que se forma todos os dias do lado de fora da farmácia, outras pessoas também voltaram pra casa frustradas. A estudante Daiani Darde diz não ter encontrado remédios para depressão, e nem os que levaria para uma amiga que tem problema no fígado.

“Uma caixinha do dela, da Letícia, é R$ 300 e poucos. Ela toma oito caixas por mês. Eu venho buscar. Então esse mês ela não vai ter”, afirma.

O presidente da Associação dos Transplantados de Fígado do RS (Astraf) diz que a situação é grave. “Atualmente está faltando o Everolimo, que também é um imunossupressor, o mais indicado para aquelas pessoas que fazem transplante de fígado por hepatocarcinoma, ou seja, pelo câncer de fígado”, afirmou.

“A falta dessa medicação pode levar à rejeição, ou seja, perder o órgão transplantado, e até mesmo ir a óbito”, alerta.

A Secretaria de Saúde do estado informou que os medicamentos que estão em falta são fornecidos pelo Ministério da Saúde. O governo federal diz que a distribuição está sendo retomada, e que até o fim deste mês a situação estará perto de ser normalizada.

“As compras que nós começamos a fazer em janeiro, só agora que estão sendo concluídas as licitações”, afirma o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis.“Até o final de maio, todos os medicamentos, ou pelo menos 90% dos medicamentos que estavam com problemas de desabastecimento, estarão regularizados”, acrescenta.

Enquanto isso, o servente de obras Wilson Borges segue sem a insulina que precisa para controlar o diabetes. “Já amputei três dedos do pé esquerdo e um do direito”, conta o operário, mostrando a caixa de transporte do remédio.

“A caixinha é o recipiente para pegar insulina. Hoje não tem, vou sair com ela vazia”, lamenta.

Fonte: G1