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Faltam 866 professores nas salas de aula de escolas estaduais do RS, diz sindicato

Por Mauricio Rebellato, RBS TV Santa Maria

 

Escolas Estaduais ainda sofrem com a falta de professores
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Escolas Estaduais ainda sofrem com a falta de professores

Escolas Estaduais ainda sofrem com a falta de professores

Dois meses após o início do ano letivo, escolas estaduais do Rio Grande do Sul ainda precisam conviver com a falta de professores em sala de aula.

De acordo com levantamento feito pelo Cpers, sindicato que representa os professores da rede pública estadual, faltam 866 educadores nas salas de aula do estado. As disciplinas mais afetadas são português e matemática.

O sindicato aponta ainda carência de 563 profissionais em outros setores, como biblioteca, laboratórios de informática, robótica e supervisão.

Na Região Central do estado, em Santa Maria, o colégio Manoel Ribas não tem mais funcionário para cuidar da biblioteca. O laboratório de robótica, equipado há menos de um ano, pode fechar porque o professor estagiário vai sair e não há substituto para a vaga.

“Queremos criar o projeto que a gente tem em mente, que é criar um robô, só que não tem como se a gente não puder vir para a sala, mexer nas coisas e programar”, diz a estudante do 2º ano Fernanda Kurkowski.

Em outro colégio da região, além do fechamento da biblioteca durante a manhã e em parte da tarde, falta também um supervisor escolar.

É que em 2019, a Secretaria da Educação começou a exigir que esse profissional tenha pelo menos dez anos de experiência, além de um curso específico na área. Só que nem todas as escolas têm alguém assim para assumir a vaga.

“A supervisão é o coração da escola. É uma parte pedagógica, e ela que vai dar um norte junto com a direção e a comunidade escolar”, explica a diretora escola Cícero Barreto, Vânia Cunha Pires.

De acordo com o governo gaúcho, a ideia é priorizar o atendimento dos estudantes em sala de aula, em detrimento de outros setores.

Mesmo assim, em outra escola estadual, alunos do curso técnico integrado ao ensino médio ficaram 40 dias sem um professor de informática.“A gente tem que fazer o TCC [Trabalho de Conclusão do Curso] e teria que estar fazendo o projeto desde o início do ano letivo. Vai ser uma correria para recuperar essas aulas”, reclama a estudante 3º ano Ana Luiza Ribas Padilha.

Na Escola Professora Maria Rocha, também em Santa Maria, falta um coordenador pedagógico para atender as 18 turmas dos cursos técnicos. “Não tem como eu trabalhar numa escola sem uma coordenação pedagógica”, protesta a diretora Ivelise Mostardeiro Borges Pereira.

O que diz a Seduc

A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) afirma que está solucionando o problema da falta de professores, e que os estudos de demanda de recursos humanos ainda não foram concluídos.

Disse que o ano é considerado atípico por conta das trocas de diretores e do ingresso de 30 mil novos alunos na rede estadual de ensino.

Por fim, alegou que a maioria das escolas tem vice-diretores e monitores que podem ficar nas bibliotecas e sugeriu que o próprio professor acompanhe os alunos nas pesquisas à biblioteca.

Nota da Seduc

“Em relação as demandas para preenchimento de vagas de professores na rede pública estadual, a Secretaria Estadual de Educação informa que as situações já estão sendo solucionadas. Somente em 2019, mais de mil novos contratos de professores estão em andamento, para suprir a demanda.O ano letivo de 2019 tem sido atípico, devido a fatores como a troca de gestão nas escolas e aumento do ingresso de estudantes na Rede – 30 mil alunos a mais. Também existem prazos legais para o encaminhamento das necessidades das instituições de ensino e para a chamada de novos profissionais.

“Em relação as bibliotecas, foi repassada orientação às Coordenadorias Regionais de Educação no sentido de priorizar o atendimento aos alunos em sala de aula, utilizando, em um primeiro momento, especialmente para garantir o início do ano letivo, os recursos humanos disponíveis na Escola e que porventura não estivessem em sala de aula, ou seja, estivessem em atendimento nos setores, como, por exemplo, biblioteca. Este entendimento baseia-se na simples razão de que a nomeação dos professores visa ao atendimento da regência em sala de aula, motivo pelo qual os professores foram efetivados em suas funções no Estado. Ainda, a orientação foi repassada para análise e gerenciamento de RH pelas CRE junto às Escolas, de forma pontual, nas situações em que efetivamente não houvesse professor disponível na Escola ou no Município. Importante esclarecer que na ampla maioria das Escolas há vice-diretores nos turnos de funcionamento das escolas, monitores que acompanham a movimentação dos alunos, além do próprio professor que pode acompanhar os alunos nas pesquisas à Biblioteca.”

Fonte: G1